X

Logotipo
  • O que é ABM?
  • Materiais
  • Vídeos
  • ABM no Brasil
  • Podcast
  • Treinamento
  • Software
  • Sobre
Logotipo
  • O que é ABM?
  • Materiais
  • Vídeos
  • ABM no Brasil
  • Podcast
  • Treinamento
  • Software
  • Sobre

Assine nossa newsletter e receba conteúdos exclusivos.


21 / set / 2026 • Por: Felipe Spina
  • Account-Based Marketing

O que realmente é necessário para fechar uma venda B2B?

Uma venda B2B complexa raramente acontece porque um lead preencheu um formulário, participou de uma reunião comercial e recebeu uma proposta. Essa visão linear do processo de compra ainda aparece em muitos funis de marketing e vendas, mas representa mal o que realmente acontece dentro de uma conta.

Um estudo publicado pela HockeyStack ajuda a dimensionar essa complexidade. A empresa analisou mais de 1,5 milhão de contatos de mais de 50 empresas SaaS B2B, com faturamento anual entre US$ 5 milhões e US$ 1 bilhão e contratos médios variando de US$ 5 mil a US$ 120 mil em ACV. O objetivo era entender quantas interações acontecem ao longo da jornada, desde a primeira exposição à marca até o fechamento da venda.

O principal achado é direto: fechar uma venda B2B exige muito mais interações do que normalmente conseguimos enxergar dentro do CRM.

Segundo o levantamento, após a primeira visita ao site são necessários, em média, 54 touchpoints para que um contato se transforme em MQL. Depois disso, outros 87 touchpoints acontecem até a criação de uma oportunidade comercial. Entre a abertura da oportunidade e o Closed Won, ocorrem mais 81 interações.

Somadas, são mais de 220 touchpoints ao longo da jornada observada.

O dado não deve ser interpretado como uma fórmula universal. Uma empresa não precisa criar exatamente 222 interações para fechar uma venda. O valor está em outra conclusão: a compra B2B é um processo distribuído entre tempo, canais e pessoas. Quanto mais complexa a solução, maior tende a ser essa distribuição.

A venda começa antes de o comprador visitar seu site

Um dos pontos mais relevantes do estudo aparece antes mesmo da geração de um lead. A HockeyStack identificou que uma empresa recebe, em média, 723 impressões no LinkedIn antes que alguém daquela conta acesse o site pela primeira vez.

Isso ajuda a explicar por que modelos tradicionais de atribuição frequentemente subestimam a construção de demanda. Quando um executivo acessa um site diretamente ou pesquisa uma marca no Google, essa visita pode parecer espontânea dentro das ferramentas de analytics. Na prática, ela pode ser resultado de semanas ou meses de exposição anterior a conteúdos, anúncios, recomendações e interações que não foram registradas como conversão.

Depois da primeira visita, a jornada continua. O estudo encontrou uma média de 54 touchpoints até que o contato realize uma ação de alta intenção, como solicitar uma demonstração, acessar uma página de pricing ou entrar em contato comercialmente.

Esse número varia de acordo com o tamanho do contrato. Empresas com ACV abaixo de US$ 20 mil apresentaram média de 31 touchpoints até MQL. Entre US$ 20 mil e US$ 60 mil, a média foi de 48. Acima de US$ 60 mil, chegou a 75 interações.

Existe, portanto, uma relação importante entre valor do contrato e complexidade da jornada. Quanto maior o investimento envolvido, maior tende a ser a necessidade de informação, validação e construção de confiança.

O funil fica mais complexo depois da conversão

Existe uma percepção recorrente de que a parte mais difícil do marketing é fazer alguém levantar a mão. Os dados da HockeyStack sugerem algo diferente.

Depois que um contato vira MQL, são necessários, em média, outros 87 touchpoints até que uma oportunidade seja efetivamente criada. Essa etapa possui mais interações do que o período entre a primeira visita e a conversão inicial.

A explicação mais provável está na expansão do buying committee. Antes da conversão, muitas vezes existe apenas uma pessoa pesquisando o problema. À medida que a oportunidade amadurece, novos participantes entram no processo: gestores, usuários, lideranças, tecnologia, segurança, financeiro, compras e jurídico.

A partir desse momento, a empresa não está mais tentando convencer apenas um indivíduo. Ela precisa construir consenso entre diferentes pessoas com prioridades, riscos e critérios de decisão distintos.

O usuário quer entender se a solução funciona. O gestor quer saber se ela gera resultado. O financeiro avalia custo e retorno. TI observa integração e segurança. Compras procura condições comerciais. A diretoria avalia prioridade e impacto estratégico.

É exatamente nesse ponto que uma visão baseada apenas em leads começa a perder capacidade de explicar o processo de compra.

O papel de marketing continua depois que a oportunidade entra no pipeline

Talvez uma das implicações mais importantes do estudo esteja entre SQL e Closed Won.

Depois que uma oportunidade é criada, ainda ocorrem, em média, 81 touchpoints antes da assinatura do contrato. Para deals com ACV acima de US$ 80 mil, o número sobe para aproximadamente 120 interações.

Isso questiona uma divisão bastante tradicional entre marketing e vendas. Em muitas empresas, marketing trabalha até a geração da oportunidade. A partir daquele momento, a responsabilidade passa integralmente para vendas.

Em vendas complexas, isso significa retirar marketing justamente quando a conta está entrando na etapa em que mais pessoas precisam ser informadas, convencidas e alinhadas.

Marketing pode continuar desempenhando um papel relevante com conteúdo, cases, provas sociais, remarketing, e-mail, eventos e materiais direcionados aos diferentes participantes da decisão. O objetivo deixa de ser apenas gerar pipeline e passa a incluir acelerar e apoiar o avanço das oportunidades existentes.

Essa mudança parece pequena, mas altera a forma como marketing deveria medir seu impacto. Uma área orientada apenas a MQLs tende a concentrar recursos no início do funil. Uma área orientada à receita passa a observar também quais atividades ajudam oportunidades reais a avançar.

O número de touchpoints aumenta conforme o valor do contrato

A relação entre ACV e quantidade de interações fica especialmente evidente na etapa final da venda.

Segundo a HockeyStack, oportunidades com ACV de até US$ 25 mil apresentaram uma média de 51 touchpoints entre SQL e Closed Won. Deals entre US$ 25 mil e US$ 80 mil chegaram a 85. Acima de US$ 80 mil, a média foi de 120.

Esse comportamento faz sentido quando observamos a estrutura das compras corporativas. Contratos maiores representam mais risco financeiro, operacional e político para quem participa da decisão. Isso aumenta o número de aprovações, análises e pessoas envolvidas.

Por isso, estratégias comerciais baseadas apenas no relacionamento entre vendedor e champion tendem a se tornar frágeis conforme o ticket aumenta. Um champion pode abrir portas, mas raramente controla sozinho todas as etapas de uma compra Enterprise.

O trabalho passa a incluir o mapeamento de influência dentro da conta. Quem usa? Quem aprova? Quem pode bloquear? Quem controla orçamento? Quem tem responsabilidade técnica? Quem precisa defender internamente a decisão?

Essa é uma das razões pelas quais Account-Based Marketing se torna particularmente relevante em vendas complexas.

Nem todo touchpoint possui o mesmo valor

Outro aspecto importante do estudo é que quantidade de interações, isoladamente, não representa qualidade.

Alguns canais foram associados à redução do número necessário de touchpoints. Outros apareceram ligados a jornadas mais longas.

No topo do funil, por exemplo, e-mail marketing reduziu a quantidade média de interações necessárias para a conversão. Campanhas de remarketing no YouTube também apresentaram efeito semelhante em determinados contextos.

Por outro lado, campanhas de Google Ads com broad match e algumas iniciativas de display foram associadas a um aumento no número médio de interações necessárias para avançar na jornada.

A interpretação aqui precisa ser cuidadosa. Correlação não significa necessariamente causalidade, e o próprio estudo trabalha com dados observacionais. Ainda assim, o padrão reforça um princípio importante: o objetivo não deveria ser maximizar o número de touchpoints, mas aumentar a relevância deles.

Uma estratégia que gera muita exposição para públicos pouco aderentes pode inflar o número de interações sem necessariamente aumentar a probabilidade de compra.

Em outras palavras, presença sem contexto pode virar apenas ruído.

A influência da prova social na jornada de compra

O estudo também encontrou um padrão interessante envolvendo o G2. Quando múltiplos stakeholders acessavam o site de uma empresa depois de consultar seu perfil na plataforma, o número de touchpoints necessários para avançar e fechar a oportunidade diminuía.

Na etapa entre SQL e Closed Won, visitas originadas pelo G2 estavam associadas a uma redução de aproximadamente 15 touchpoints e a uma aceleração de mais de uma semana no ciclo de vendas.

Esse comportamento é relevante porque mostra como a compra B2B depende de validação externa.

Quanto maior o risco percebido, mais o comprador procura evidências que não foram produzidas pelo próprio fornecedor. Reviews, cases, referências, depoimentos e comparações ajudam a reduzir incerteza.

Isso também sugere que prova social não deveria ser tratada apenas como ativo de branding. Em vendas Enterprise, ela pode fazer parte diretamente da estratégia de progressão da conta.

O e-mail continua relevante no fim do funil

Outro dado interessante aparece na relação entre e-mail marketing e buying committee.

Quando pelo menos três pessoas envolvidas na decisão recebiam comunicações de marketing, o estudo encontrou uma redução média de aproximadamente quatro touchpoints até o fechamento.

O número pode parecer pequeno isoladamente, mas a implicação estratégica é maior. A maior parte das empresas ainda utiliza nutrição de e-mail de forma individual, centrada no lead que originalmente converteu.

Em uma lógica orientada a contas, a pergunta muda.

Em vez de pensar apenas no que enviar para o lead, passa a ser necessário pensar em quais pessoas da conta precisam receber quais informações em cada etapa.

O champion pode precisar de um case para defender internamente a solução. O executivo pode precisar de um racional financeiro. A área técnica pode precisar de documentação de integração e segurança. Compras pode precisar de clareza comercial.

O conteúdo permanece sendo o mesmo ativo de marketing, mas sua função muda. Ele passa a fazer parte da orquestração da venda.

O que esse estudo diz sobre Account-Based Marketing

A principal relação entre esses dados e ABM não está simplesmente no número elevado de touchpoints.

Está no fato de que esses touchpoints acontecem dentro de uma conta e entre múltiplos stakeholders.

ABM começa a fazer mais sentido quando deixamos de olhar a jornada apenas como uma sequência de ações individuais e passamos a enxergar o comportamento coletivo da empresa compradora.

Uma conta pode ter um contato participando de reuniões, outro lendo cases, um terceiro visitando pricing e um executivo sendo impactado por conteúdo no LinkedIn. Em ferramentas tradicionais, essas interações podem parecer desconectadas. Para a compra, elas fazem parte do mesmo processo.

Esse é um dos principais desafios de vendas B2B complexas: transformar sinais fragmentados em uma visão única da conta.

Por isso, uma estratégia de Account-Based Marketing madura precisa responder perguntas como: quais contas demonstram aumento de interesse? Quantos stakeholders estão ativos? Quem ainda precisa entrar na conversa? Quais conteúdos estão sendo consumidos? Qual é o nível de engajamento da conta? O comportamento está aumentando ou diminuindo? Marketing continua atuando sobre oportunidades abertas?

Essas perguntas são mais próximas da realidade de uma decisão B2B do que simplesmente contabilizar leads.

De geração de demanda para orquestração da jornada

O estudo da HockeyStack não significa que todas as empresas devam perseguir um número específico de interações. Os benchmarks refletem uma amostra de empresas SaaS B2B e variam conforme mercado, ticket, produto, maturidade e ciclo comercial.

Mas o estudo traz uma conclusão importante para qualquer organização que vende soluções complexas: a venda não acontece em um único momento.

Ela é construída ao longo do tempo.

Cada interação pode responder uma dúvida, aumentar confiança, introduzir uma nova pessoa na conversa ou ajudar alguém a defender internamente a decisão.

Isso também muda a forma como devemos interpretar performance. Um anúncio pode não gerar uma conversão imediata e ainda assim contribuir para a construção de demanda. Um case enviado depois da reunião pode ter mais impacto do que um e-book baixado antes dela. Um conteúdo consumido por um diretor que nunca preencheu um formulário pode ser decisivo para uma oportunidade avançar.

A jornada de compra B2B não é uma linha reta. É uma rede de interações.

Talvez por isso uma pergunta seja cada vez mais importante para marketing e vendas.

Em vez de perguntar apenas quantos leads foram gerados, precisamos entender quantas contas realmente avançaram e quantas pessoas dentro dessas contas estão participando da decisão.

É aí que a discussão deixa de ser apenas sobre geração de demanda e passa a ser sobre orquestração de receita.

Fonte e metodologia

Este artigo foi elaborado a partir do estudo “What Does It Take to Close a Deal?”, da HockeyStack Labs. A pesquisa analisou mais de 1,5 milhão de contatos de mais de 50 empresas SaaS B2B. A amostra incluiu empresas entre US$ 5 milhões e US$ 1 bilhão em ARR e ACVs médios entre US$ 5 mil e US$ 120 mil.

Os números apresentados devem ser interpretados como benchmarks da amostra analisada, não como regras universais para qualquer processo comercial.

Compartilhar esse post

Posts relacionados

set 2026 •
  • Account-Based Marketing

O que realmente é necessário para fechar uma venda B2B?

set 2026 •
  • Account-Based Marketing

Como Vender Tecnologia para Grandes Empresas: Estratégias de ABM para Vendas B2B Enterprise

set 2026 •
  • Account-Based Marketing

5 Passos para ABM: Como Colocar o Account-Based Marketing em Prática

ABM - Account-Based Marketing
Nossa missão é ajudar as empresas em vendas B2B para grandes empresas por meio do processo ABM.

O “Account-Based Marketing” é uma metodologia para vendas complexas B2B, onde envolve campanhas exclusivas e personalizadas para empresas que estão dentro do Perfil Ideal de Cliente que você quer prospectar. Usando esse processo, você não desperdiça tempo e dinheiro com quem não tem probabilidade de fechar com sua empresa. Esse processo precisa ser bem “orquestrado” de ponta a ponta e exige que a empresa adote essa cultura no alinhamento de marketing e vendas para funcionar consciente.

  • Política de Privacidade
  • Quem somos
  • Videos sobre ABM
  • Materiais Educativos
  • Software de ABM
  • Cultura da Maestro ABM
Instagram Linkedin Spotify Youtube


Copyright©2022
MAESTRO ABM LTDA
CNPJ nº 45.992.495/0001-10
Rua Augusta 3000 1º Andar
Cerqueira César - São Paulo/SP
CEP 01412100